Após revés, restaurante de vice palmeirense é depredado

O clima pesou e, embora os jogadores do Palmeiras tentassem puxar para eles a responsabilidade pela fase do time, a torcida não teve dúvidas em culpar os dirigentes. Roberto Frizzo, vice-presidente de futebol, e Arnaldo Tirone, presidente do clube, foram não apenas xingados pelos furiosos torcedores que deixavam o Pacaembu, mas também ameaçados de agressão física pelos mais exaltados. Além de deixar o Pacaembu rodeados por seguranças, os dirigentes tiveram sorte por não serem agredidos em uma filial do restaurante Frevo, propriedade de Frizzo, na rua Oscar Freire, nos Jardins, mais de uma hora depois do jogo. O estabelecimento foi depredado por torcedores.

Nos minutos finais da partida, alguns membros de organizadas invadiram o setor das numeradas cobertas e tentaram chegar nos camarotes, onde estavam os dirigentes, mas foram coibidos pela polícia. Na confusão, quebraram várias cadeiras do estádio.

No intervalo, Frizzo, que assistiu ao primeiro tempo na numerada coberta, já havia sido muito xingado. Tirone, assustado e sempre cercado pelos seguranças até chegar nos vestiários do Pacaembu, não quis falar.

Já Frizzo tentou mostrar confiança e pedir tranquilidade. “Não é momento nem de se pensar. Tem que ter tranquilidade. Eu compreendo a revolta, mas sou absolutamente contra qualquer tipo de ameaça física. Vamos sair fora disso."

No entanto, o restaurante do dirigente foi invadido e depredado por homens encapuzados que vestiam a camisa do Palmeiras. Mesas e cadeiras foram viradas e pratos, copos e vidros, quebrados. Ele e Tirone jantavam no local, num espaço reservado, e não foram vistos.

Segundo um dos gerentes do Frevo, o restaurante estava lotado, inclusive com a presença de crianças, quando os vândalos deixaram os veículos e começaram a quebrar o que viam pela frente. Foi registrado um boletim de ocorrência no 78.º DP, na rua Estados Unidos, que relata a presença de dez pessoas em dois carros e duas motos. "Não queremos machucar ninguém, só quebrar tudo", disseram os torcedores. De acordo com policiais, não havia uniformes do Palmeiras, mas os torcedores vestiam camisas verdes.

Vasos foram atirados ao chão, o balcão sofreu danos, cadeiras acabaram entortadas e as paredes ficaram marcadas porque os torcedores arremessaram objetos contra elas. No momento dos ataques, os dirigentes palmeirenses entraram para os fundos do restaurante e se protegeram dentro de um banheiro junto de outros clientes.

Dois policiais ficaram vigiando o estabelecimento e outros foram remanejados para proteger a outra filial da rede, na rua Augusta, que não sofreu danos por ter sido avisado com antecedência.