Acima do peso no Goiás, Walter reclama de bullying

Com boas performances, atacante do Goiás dribla o peso e engana a ciência

Principal arma do Goiás no Campeonato Brasileiro, Walter sofre com a balança. Mesmo com quatro gols na competição nacional e artilheiro do time no ano, o atacante não consegue se dissociar da imagem do gordinho que joga bola. “É até bulliyng o que fazem comigo”, se defendeu o jogador em entrevista ao Jornal O Globo.

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Há relatos no Serra Dourada de ingestão de quase dois litros de refrigerante em apenas uma refeição. Não à toa que pessoas próximas de Walter falam de mais de 100kg. Em geral, o ideal para a altura do jogador seria apresentar de 6% à 14% de gordura corporal, a do atacante, no entanto, é mantida às sete chaves pela comissão técnica.

O problema de Walter não é a dedicação nos treinos e sim a boca ao estar diante da mesa. Os biscoitos recheados são os maiores vilões, as besteiras que come a noite antes de dormir. “Quem briga com a balança sabe o quanto é difícil”, disse ao jornal carioca.

Na ficha técnica no site oficial do Goiás, Walter apresenta 92 kg em 1,78m. Porém, segundo o próprio jogador, ele já tinha aumentado mais um quilo. O primeiro objetivo dentro do clube é alcançar os 90kg, mas, as medidas exatas, o preparador físico Róbson Gomes evita comentar, por medida ética. “Falo tudo, menos de Walter”, sempre adianta.

Ao buscar uma explicação para o peso do atacante, a comissão técnica chegou às suas origens humildes. Desde que brilhou no Internacional na Libertadores de 2010, a briga com a balança virou constante:

“Na infância, ele não tinha o que comer. De repente, tinha tudo”, disse o preparador ao Jornal O Globo, que completou: “Nas refeições entre família, quando o primeiro termina de comer, o último ainda está com fome. E ele acompanha”.

Mesmo acima do peso, Walter parece ser um mistério para a ciência com sua mobilidade e gols marcados. Róbson, inclusive já havia declarado que o centro-avante alcança índices de recuperação iguais ou até menores do que de muitos atletas bem mais em forma. Apesar disso, o preparador reconhece que se diminuísse o peso, ‘certamente, a performance melhoraria’.

“Segunda-feira, o grupo correu 5km num período. Ele fez dois períodos de 6km, cada. Ele foi bem recebido aqui e, como é muito humilde, achou Goiânia a melhor cidade do mundo e o Goiás o melhor clube do mundo. Só que ele é de seleção. Pode sonhar mais.”

O principal motivador de Walter, segundo Róbson é o técnico Enderson Moreira:

"Outros técnicos dificilmente o colocariam para jogar, mas o Enderson sabe que a motivação é maior com ele atuando”.

Além da guerra contra os doces, Walter ainda precisa enfrentar o biotipo, que segundo ele já não ajuda:

“Em um cara forte como eu, se nota mais. Às vezes, um cara mais franzino está gordo, e ninguém vê bem. É a vida. Mas é hora de mudar. Tenho 24 anos. Vai chegar um momento em que não vai dar mais. É chato. É piada do povo, é meu filho na escola ouvindo que sou gordinho", se defendeu.

Mesmo assim, o jogador afirma que não quer perder tanto peso assim, por ser seu diferencial:

“É difícil ver um jogador acima do peso se mexer tanto. Acho que me acostumei a jogar acima do peso. Quero perder, mas não muito. Porque hoje protejo bem a bola, é difícil o zagueiro tirar. Acho que vou levar isto para o resto da vida. Sei que estou acima do peso, mas se eu fosse gordo mesmo, nem teria condição de jogar”, encerrou.