[Opinião] Ainda vai dar...

Trinta e dois minutos em Córdoba. Uma chance que Roque Santa Cruz - o mais supervalorizado atleta da história do futebol interplanetário – isolou; mais uma bela enfiada de Jadson para Pato. E pouco mais de bola se viu, em mais um jogo chocho como tantos da Copa América 2011.

O bom meia-atacante revelado pelo Atlético Paranaense deixou a perna numa dividida com o Verón paraguaio (literalmente) e mereceu o amarelo, aos 32. Naquele momento, Jadson mais embolava o jogo brasileiro que criava algo aberto pela direita, como deveria atuar no 4-2-3-1 de Mano. No bom time do Shaktar Donestk, Jadson atua por dentro no mesmo esquema. Mas, claro, em outra função. A mesma de Ganso. Que é absoluto no time de Mano. E seria no de qualquer treinador.

Ganso precisa sempre estar jogando, por estes dias e jogos carrancudos. Ainda mais neste momento. O problema é que, além do craque santista, todos os escolhidos e escalados (bem ou mal) por Mano parecem ter operado os joelhos, tornozelos e pés. Parecem estar há anos fora de forma e ritmo.

Jadson não estaria no meu time titular contra a boa equipe paraguaia. Manteria Robinho (ao menos até o intervalo). Insistiria no time que começara e até atuara bem o primeiro tempo contra a Venezuela. Outra opção seria Elano, que dá mais consistência. Lucas, tímido nos treinos, continuaria como opção de segundo tempo. Escalar Fred no comando de ataque, e Pato aberto à direita, não.

A bem dos fatos, Jadson não estaria na minha relação de convocados. Ponto.

Aos 37, ele impediu contragolpe paraguaio com falta. Árbitro mais rigoroso (ou mais brasileiro) mostraria o amarelo. Seria o segundo. Seria o vermelho.

Não me contive. Ao microfone da Rádio Bandeirantes, cornetei algo do tipo: “É mais um motivo para voltar com Elano no segundo tempo, no lugar de Jadson”. Deu tempo de devolver a bola para José Silvério narrar gol do Brasil, segundos depois. Gol do meu substituído. Jadson.

Cara quebrada, língua queimada, só me restou pedir desculpas. E aplaudir Mano Menezes, que no intervalo fez o certo, e sacou o goleador.  Veio com Elano aberto pela direita para equilibrar o time, e não embolar tanto com Ganso.

Mas aconteceram outras coisas inusitadas. Ramires perdeu bola tola, Daniel Alves não estava no lugar dele, Thiago Silva cometeu raríssima falha, André Santos mais uma vez estava longe da própria área, e Santa Cruz empatou.

Mano demorou a apostar em Lucas. Quando ele entraria em campo, inusitada falha de Daniel Alves depois de longa bola de Ortigoza acabou originando o gol carambolado de Haedo Valdez.

O treinador brasileiro se enrolou e demorou a vir com Lucas no lugar de Ramires. Elano foi recuado como volante, o Brasil abriu todo o jogo.

Fred era a referência de área, no lugar de Neymar. Alteração que não teria feito. Teria mantido o santista. Embora entendesse que, naquele bumba-meu-canarinho brasileiro, o centroavante tricolor, ainda que em má fase, era melhor opção de cabeceio. Ao lado de Pato, que não é tão forte fisicamente, mas tem toda a técnica para fazer gols de cabeça.

Nem com aquele bolo lá na frente o Brasil chegava perto da meta de Villar. Mas num lance de André Santos para Ganso, a bola escapou para Fred virar como ótimo centroavante que pode ser, e empatar um jogo com placar dilatado demais para tão poucas chances. Foram cinco brasileiras, quatro paraguaias. Dois a dois foi muito.

Só o futebol brasileiro que tem sido pouco.

Ainda assim, a classificação está aos pés. O time segue, como sempre, entre os favoritos. Mas o estágio de futebol pretendido por Mano ainda está distante. Nem tanto por discutíveis escolhas e escalas. Muito pelo momento dos eleitos pelo treinador. Quase todos eles os diletos do torcedor.

O que é muito mais preocupante que o futebol agora apresentado. Ou mesmo que o resultado final da Copa América.

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