Ponto de Bola

Volta, Corinthians. Bi mundial

Há 22 anos, no Morumbi, Neto e companhia (bem) limitada venciam o Brasileirão pela primeira vez. Iniciando o processo de (inter)nacionalização inexorável do Corinthians. Há quase 13 anos, o Maracanã e o mundo eram do Todo-Poderoso Timão. Ontem, e para sempre, o primeiro sul-americano bicampeão mundial (da Fifa) é o clube que há 102 anos nasceu no Bom Retiro paulistano. É a nação que é Corinthians. Que foi ao Japão e voltou (bi)campeã. Povo que pode bater no peito alvinegro e gritar que ninguém mais pode cochichar nada contra o que se conquistou no campo em um século de paixão.

A Libertadores demorou — mas veio invicta, como desde 1978 não se via na América do Sul. Se há como discutir a presença (e não a conquista) alvinegra em 2000, não há como colocar em dúvida a competência e a capacidade do campeão mundial de 2012. Superando o campeão africano na semifinal e o europeu na final duas vezes com a cabeça de Guerrero. Com a alma de guerreiros.

Um gol aos 23 minutos que clonou o gol que, há 35 anos, encerrou 22 de jejum. O do Pé de Anjo de Basílio. O da Cabeça de Louco de Paolo. A do pulmão e pés hábeis de Paulinho, autor do lance sensacional que deu no gol e no título, depois de oito segundos após o toque de letra. Camisa 8 como Basílio. Camisa alvinegra como os campeões do mundo do Brasil. Da camisa amarela como a de Cássio. O goleiro que defendeu aquela bola de Diego Souza na Libertadores. O monstro que defendeu cinco bolas (duas impressionantes) em Yokohama contra o time do melhor goleiro do mundo. Mas não do campeão mundial de 2012. Muralha que só errou um lance no gol bem anulado de Torres. Zaga que bobeou no fim e levou um chute na trave na última bola do jogo. Só para deixar mais corintiana a decisão. Só para dar mais sabor ao amor campeão.

Quem torce ama. Quem deixou o coração em Yokohama torceu mais que ninguém no mundo que é corintiano. Volta, Corinthians, agora para seu berço e para seu povo. Vai, Corinthians. A Terra do gol nascente é sua. Vem, Corinthians. Se você não foi o Brasil todo, todo o mundo cabe no Parque São Jorge.