Ponto de Bola

Corinthians 51% x 49% Chelsea

Corinthians e Chelsea ainda não estão definidos. Ou divulgados. Tite e Rafa sabem muito bem o que fazem. Mas como ambos tem boas e não poucas opções, o mistério é válido. Para não dizer as dúvidas.

Sem ter a certeza ou a confirmação, vamos especular no confronto entre os atletas. No mano a mano dos possíveis duelos em Yokohama.

GUERRERO X CAHILL + DAVID LUIZ — O centroavante corintiano enfim está jogando o que dele se esperava, também pela experiência e bagagem de Europa. É o pivô no básico 4-2-3-1 de Tite — por vezes um 4-1-4-1 com o constante avanço de Paulinho, que não deve ocorrer na grande e equilibrada decisão. O peruano fará bom duelo aéreo contra Cahill, zagueiro-direito que chegou muito bem ao clube londrino em janeiro. Quando cair à direita, Guerrero terá a companhia do brasileiro David Luiz, que fez ótima partida como volante-esquerdo no passeio contra o Monterrey. David poderia ser mantido ali para dar consistência na marcação frágil do Chelsea pós-Liga dos Campeões — piorada mais atrás sem o lesionado capitão Terry. Mas se David Luiz seguir no meio, marcando melhor sem perder a qualidade no passe e a chegada mais à frente, abre-se uma avenida na lateral direita com Azpilicueta (para que Cahill e Ivanovic seguissem no miolo de zaga). Azpilicueta é quase nome de rua em São Paulo. Quase um buraco para dar espaço ao Corinthians na ponta esquerda. Pela fase, o peruano pode ser decisivo como foi na decepcionante estreia corintiana no Mundial — que não será repetida na final. Esse Timão não joga duas partidas decisivas tão mal.

EMERSON X IVANOVIC — O ótimo lateral-direito e zagueiro de qualquer um dos lados é excelente no jogo aéreo. O Timão está bem preparado para contê-lo. Estuda seu posicionamento há meses. Tite tem trabalhado escanteios e faltas laterais e a equipe tem errado pouco — embora tenha sido desatenta no mau segundo tempo contra o Al-Ahly. Com Emerson aberto pela esquerda no 4-2-3-1, o Timão ataca e, pela ofensividade do Sheik, impede que Ivanovic apoie — o que normalmente já ocorre pouco, para liberar a saída de Ashley Cole pela esquerda. Duelo muito interessante, que pode ser vencido pelo corintiano — desde que jogue o que não jogou na semifinal, e desde que seja o Sheik seminal de costume em decisões. O que até poderia colocá-lo como centroavante (onde atuou e decidiu a Libertadores contra o Boca, no Pacaembu), passando Jorge Henrique e Danilo pelos lados, Douglas armando por dentro, e Guerrero no banco. É outra opção válida para Tite.

JORGE HENRIQUE X ASHLEY COLE - Pela direita no 4-2-3-1 alvinegro, Jorge aporta capacidade de marcação, dinâmica de jogo, velocidade, comprometimento tático, e inegável poder de decisão — e de irritação do rival. Impede a saída qualificada do lateral inglês, construtor (ao lado do excelente Oscar) do primeiro gol contra o Monterrey, na grande atuação do Chelsea na semifinal — a melhor sob o comando de Rafa Benítez, das melhores nos últimos meses na equipe azul. Outra opção para Tite é manter o desenho e a formação considerada ideal, com DANILO aberto pela direita, ora alternando de lado com Emerson. O bicampeão da Libertadores se sacrifica pelo time atuando fora de posição e foi muito importante contra o campeão africano. Não pode ficar de fora. Também pela capacidade no jogo aéreo. Se DOUGLAS seguir no time, será Danilo o homem aberto pela direita. Também para acompanhar Cole. Com a bola, o inglês é muito melhor. Sem ela, o corintiano pode reequilibrar o duelo.

DANILO X OBI MIKEL — Para a entrada de JORGE HENRIQUE para travar Cole e também jogar pela direita paulista, sairia DOUGLAS do Timão de Tite. Algo muito justificável taticamente. Situação, porém, complexa para o treinador gaúcho que tão bem administra egos e vaidades no Parque São Jorge. O maior mérito de Tite no clube tem sido afastar e afugentar picuinhas e pecadilhos. É um cara e um treinador muito justo. Se optar pela saída de Douglas (autor do belíssimo passe para o gol de Guerrero na semifinal), pode criar um atrito que só ele poderá contornar. E não ser benéfico para o Corinthians neste momento. Mas se Tite deixar o armador de qualidade e bom passe, que se recuperou no segundo semestre da má condição física e técnica do primeiro, o time pode perder o meio-campo e a marcação pelos lados. É o maior dilema de Tite. Questão mais emocional que tática. Se Douglas deixar o time, DANILO fica na dele, por dentro, armando, pensando, mas também desarmando e recompondo muito melhor que Douglas. Não deixando o competente Mikel jogar. Primeiro volante inglês que é sobrecarregado na marcação pela menor aptidão da turma de frente de ajudar na contenção. Situação tática favorável ao Corinthians.

PAULINHO X LAMPARD — O craque-bandeira inglês não está 100% fisicamente. O todocampista corintiano está sempre ligado em 220. Como segundo volante ou quarto armador, aparece como primeiro atacante toda hora. É o melhor corintiano em 2012. Começava a fazer dupla interessante na Seleção com RAMIRES, outra opção de Rafa Benítez como volante que sai para o jogo no 4-2-3-1 inglês — que pode ser um 4-1-4-1 com a chegada do brasileiro ou mesmo de LAMPARD. Seja o inglês o escalado ou o ex-volante do Cruzeiro, Paulinho pode ganhar na vitalidade o duelo. Ajudando Danilo (ou Douglas) a articular às costas dos volantes ingleses. WILLIAN, ex-corintiano do Shaktar, sonho de consumo do próprio Chelsea, disse nesta sexta-feira na  Band que entrar em diagonal a partir dos cantos, e atuar às costas dos dois volantes ingleses, é melhor o caminho para o Timão em Yokohama. Assino embaixo a ideia e a experiência de um Willian que foi muito bem nos dois jogos contra o Chelsea. Uma saída para Rafa seria apostar em RAMIRES para um duelo sem fim com PAULINHO.

RALF X OSCAR — Mas pode ser MATA. Rafa Benítez gosta muito do ótimo armador espanhol. Pode centralizá-lo para dar espaço à direita para o veloz e cada vez melhor MOSES. Não faltam opções ao Chelsea. Resta saber se o treinador espanhol irá utilizar a melhor para vencer esse duelo onde o volante corintiano é muito bom na marcação, e tem melhorado na saída de bola. Em Yokohama, é essencial que o corintiano aguente a intensa movimentação dos três (por vezes quatro) articuladores do Chelsea - a melhor herança da passagem de Di Matteo por Stamford Bridge. Se Ralf tiver de marcar Oscar, precisa estar muito esperto pela agilidade, inteligência e poder de fogo da joia brasileira. Se for Mata, a verticalidade dele é maior. Mas o talento, menor. Páreo duríssimo para o rochoso Ralf.

FÁBIO SANTOS X MATA — Mas pode ser MOSES. O nigeriano tem atuado bem na equipe que não se repete de Rafa. Passa bem, corre muito, é artilheiro. Seria opção mais veloz (mas se mexendo menos pelo campo) que Mata. Para o ótimo e cada vez melhor na marcação lateral corintiano, o duelo mais interessante (ou menos complicado) seria contra MATA. Se OSCAR começar jogando, a movimentação dos três (por ora quatro articuladores) pode complicar Fábio. Mais um duelo muito equilibrado. E que será menos complicado para Fábio por que o Chelsea sai menos pela direita. Outra opção (menos usual nos últimos meses) para Rafa seria a entrada de RAMIRES pela direita, onde foi muito bem na última temporada. O que aportaria melhor marcação, sem perder tanta dinâmica pelo outro lado.

ALESSANDRO X HAZARD — O ótimo meia-atacante belga é um perigo entrando em diagonal, por dentro, com sua perna direita. Embora jovem, é outro jogador muito interessante. Perigo para o experiente e competente Alessandro, que ainda terá de vigiar a possível chegada de Ashley Cole. É pela esquerda que o Chelsea mais e melhor ataca. Por isso JORGE HENRIQUE seria mais interessante e fisicamente mais leve (se comparado a DANILO) para dar um pé no setor. Além da atenção de RALF e também de PAULINHO. Pode ser a melhor opção ofensiva e ponto de desequilíbrio para o campeão europeu explorar a lateral direita brasileira.

CHICÃO + PAULO ANDRÉ X FERNANDO TORRES — El Niño não merece tanto oba-oba e tamanho dinheiro torrado pelos seus direitos federativos. Mas também não é um centroavante qualquer. Campeoníssimo de tudo, merece respeito. Como costuma impor a zaga alvinegra. Se como todo o time de Tite não fez uma partida boa contra o Al-Ahly, no domingo a atuação de Chicão e Paulo André deve ser outra história. Com boas chances de conter a força e os gols de Torres. Aposto mais na dupla corintiana.

CÁSSIO X CECH — Nenhuma linha estaria sendo escrita agora não fosse a defesa do corintiano no duelo contra Diego Souza, nas quartas-de-final da Libertadores. Foi nome importante na conquista. Embora não tenha sido aquele goleiro desde então. Ou tenha voltado a ser mais um goleiro grande que um grande goleiro. Mas evidentemente que não compromete. Só não é páreo para o ainda melhor e maior Cech, dos melhores goleiros da história, também essencial na conquista do título continental. É o único duelo sem discussão da grande e mais equilibrada final de Mundial desde a primeira nessa fórmula de disputa, em 2005.

TITE X RAFA BENÍTEZ — Ambos atuam no 4-2-3-1 que pode virar 4-1-4-1. Mas o time corintiano há mais tempo joga e sabe melhor interpretar o esquema. Desde o final de 2010 Tite é do Timão. Desde semanas Rafa é Chelsea. E ainda não foi plenamente. Se o espanhol já ganhou Liga de modo brilhante em 2005, e já foi campeão do mundo (e demitido em seguida) de um Mundial que Tite deixou de disputar para justamente dirigir o Corinthians, o brasileiro parece mais pronto e confiante para ser campeão mundial. Bi mundial pelo Corinthians.

CORINTHIANS X CHELSEA — O Timão não vai jogar de novo mal como atuou contra o Al-Ahly. Os Blues não vão jogar de novo tão bem como devastaram o Monterrey. É a final mais equilibrada, e a cada momento mais. Mas o Timão parece mais pronto para vencê-la. Na prorrogação. E só agora deixei para falar de ROMARINHO. Um cara para entrar por um dos lados, possivelmente às costas de Ashley Cole, no final dos tempos, e dar a eternidade (e o mundo) pela segunda vez ao Corinthians.