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A seleção de 2013 seria mais justa sem Real Madrid, Barcelona, Messi e Cristiano Ronaldo

A seleção do ano de 2013 da Bola de Ouro FIFA é a seguinte: Neuer, Dani Alves, Lahm, Sergio Ramos, Thiago Silva, Xavi, Iniesta, Ribéry, Cristiano Ronaldo, Messi e Ibrahimovic. O monopólio espanhol não foi tão absurdo quanto na temporada passada, quando dez dos onze jogadores da seleção jogavam por Barcelona e Real Madrid. Somente Falcao García, na época artilheiro do Atlético de Madrid (outro time espanhol) figurou na Seleção do ano de 2012. Na nova edição da seleção do ano, temos três jogadores do Barcelona e um do Real Madrid que perfeitamente poderiam estar fora. Um é inquestionável e outro se ficasse de fora teríamos argumentos para deixá-lo. A grife fala mais alto, infelizmente.

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Na temporada 2012/13, o Bayern de Munique ganhou tudo o que enfrentou. Seja em território alemão ou quando os espanhóis Real Madrid e Barcelona se meteram na frente. No segundo semestre da temporada (2012/13), quando a votação da seleção de 2013 começa a ser votada, o Bayern fez do Barcelona um gatinho manso. No placar agregado da semifinal da Liga dos Campeões, 7 a 0. Massacre de Ribéry, Lahm, Schweinsteiger, Robben, Müller e companhia. Na outra chave da semi, o Borussia Dortmund viu Lewandowski trucidar o Real, dele, somente dele, Cristiano Ronaldo. Na final da Liga dos Campeões, Bayern e Borussia levaram os melhores do mundo para decidir quem era o melhor da Europa, os melhores do mundo. Deu Bayern merecido, mas não podemos esquecer os destaques do Borussia, como Gündogan e Reus.

Chegamos ao segundo semestre. O Bayern continua conquistando tudo e os jogadores, agora de Pep Guardiola, já levaram o Mundial de Clubes, a Supercopa da Europa, deitam e rolam na liderança do Campeonato Alemão e passaram à fase de mata-mata da Liga com sobras. O Borussia desafiou o Bayern e venceu a Supercopa da Alemanha, quando sua dupla de zaga estava em forma. Agora, com Hummels e Subotic lesionados, o time de Jürgen Klopp caiu um pouco de produção, mas ainda é forte. Seus jogadores ainda mostram um futebol vistoso, tanto que avançaram às oitavas da Liga em um grupo que tinha um forte time do Napoli e o Arsenal de Özil e Ramsey.

Além de Özil, que deixou o Real Madrid na metade de 2013, e agora joga ainda mais pelos Gunners, não podemos esquecer dos jogadores rivais do time de Arsène Wenger. O Manchester City conta com um maestro, Yaya Touré. Faltas precisas, lançamentos, assistências, gols, desarmes, posicionamento. Falta grife ao Yaya. Defendo que ele poderia ser o terceiro melhor jogador do mundo, mas o volante recebeu somente incríveis 22 votos... Na posição (de volante) do camisa 42 do Manchester City, Schweinsteiger poderia ser equiparado. Vidal, da Juventus, com características menos celebrais, e Pirlo, genial, mas não tão quanto Yaya Touré e Schweinsteiger em 2013 poderiam ser lembrados.

Ainda no Campeonato Inglês, Luisito Suárez também sobra. Atacante letal tanto no fim da temporada 2012/13 quanto nos seus únicos 16 jogos e 22 gols da temporada 2013/14. Em um time muito menos qualificado que Barcelona e Real Madrid, o atacante uruguaio se entrega em campo com muita raça, correria, mas também dribles, habilidade e bola na rede. Como não lembrar dele? O camisa 7 do Liverpool poderia estar perfeitamente na seleção de 2013. Assim como Edinson Cavani, seu companheiro de seleção, que voou pelo Napoli e continua em ótimo momento no Paris Saint-Germain. Não vamos abrir tanto o leque também. Estamos falando dos melhores de 2013. Somente os onze, a seleção.

Entretanto, não tem como não ficar indignado com o lateral-direito Daniel Alves nessa seleção. Sua regularidade impressiona. Desde que chegou ao Barcelona é um dos melhores da posição, mas não foi assim em 2013. Daniel é tão regular que cai de produção quando o Barça também não faz a magia dos últimos anos. O que mais incomoda é que com sua escolha o lateral/volante Philipp Lahm, que com Heynckes foi lateral-direito e com Guardiola é volante, foi jogado para esquerda. Dá para entender? Lahm deveria ser valorizado e ser grifado na direita, onde sempre jogou. O jovem Alaba, do Bayern, deveria merecidamente colocar mais alguém do futebol alemão na lista e tirar o brasileiro que apareceu de gaiato.

Na zaga, Thiago Silva é unanimidade, mas Sergio Ramos esteve longe de ser um dos dois melhores zagueiros de 2013. Hummels, Chiellini, Dante e David Luiz, por exemplo, mereciam mais que o espanhol. Boateng e Subotic estariam no mesmo nível e pelos feitos em seus times eu os colocaria na frente. Por que a grife do futebol espanhol fala tão alto?

Na lista de votantes, todos os países com seleções associados ao FIFpro, além dos jornalistas selecionados pela FIFA e pela Revista France Football, tem direito ao voto. Será que todos os treinadores e capitães das seleções associadas a FIFpro acompanham a temporada dos melhores do mundo com a devida atenção? Parece que não. A grife do mais do mesmo das últimas temporadas e a força dos nomes Barcelona e Real Madrid acabam falando mais alto...

Uma lista sem os jogadores de Real Madrid e Barcelona seria mais justa que a da FIFA/Revista France Football. Eu só cometeria uma injustiça: Cristiano Ronaldo. Messi seria contestado por ser Messi, por fazer 46 gols, ganhar o Campeonato Espanhol e ter se lesionado bastante em um ano ainda de números bem expressivos. Agora, Dani Alves, Sergio Ramos, Iniesta e Xavi deveriam estar de fora.

Uma seleção com Neuer, Lahm, Hummels, Thiago Silva, Alaba, Yaya Touré, Schweinsteiger, Ribéry, Robben, Ibrahimovic e Suárez seria muito mais bem vista, quando o assunto é a bola que foi rolada e jogada em 2013. Seria muito melhor discutir na redação ou entre amigos se era melhor ter Schweinsteiger ou Vidal. Yaya Touré ou Pirlo. Suárez ou Agüero. Pois é. Tem também o Agüero e só o cito agora. Olha a injustiça que o glamour de Barcelona e Real Madrid nos condiciona a fazer.

Antes que alguém se exalte. É óbvio que o Cristiano Ronaldo tem que estar na seleção de 2013. Assim como me parece óbvio Dani Alves, Sergio Ramos, Xavi e Iniesta fora dela.

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