Futebol Cinco Estrelas

Corinthians resgatou a autoestima do futebol brasileiro

Atletas celebram o segundo título mundial do Corinthians

Um grito de guerra em forma de oração. Para ser recitado não a plenos pulmões, mas a meia voz. Nasceu no Pacaembu durante a vitoriosa campanha da Libertadores, tomou o Brasil, a América do Sul e cruzou os mares para ser ouvido no Japão. "Vamos Corinthians, essa noite teremos que ganhar". Ainda que no Brasil seja dia. Ainda que os japoneses presentes no estádio não entendessem o que era dito.

O Corinthians é bicampeão do mundo.  Venceu os bilhões de euros e a aura de superioridade que o eurocentrismo no futebol tenta passar. Parecia que duelo entre Timão e Chelsea era um jogo dos meninos da favela contra o time das crianças bem-nutridas e criadas em condomínio fechado. O time de Tite venceu até isso. Passou por cima do complexo de vira-lata que invariavelmente assombra o brasileiro.

O reluzente futebol europeu perdeu para o nosso jogo de bola. Perdeu para o futebol brasileiro. Perdeu para o futebol sul-americano de Guerrero e Martinez. Tecnicamente a legião estrangeira do Chelsea é melhor que o alvinegro da zona leste de São Paulo, mas dinheiro não é tudo no futebol. Coração faz diferença. O Chelsea pode até ter mais dinheiro, mas não teve nada da alma corintiana.

São Paulo está em festa. Celebra o time que não teve vergonha de dar chutão, mas que também tabelou, driblou e colocou os ricos ingleses na roda. O Corinthians foi zica. Encardido... Brasileiro em todos os sentidos.

Todos os atletas da equipe de Tite jogaram bem. Cássio foi eleito o melhor em campo e não podia ser diferente. Suas mãos foram firmes para sustentar o sonho de milhões de corintianos espalhados por todo o mundo. Assim como todo o sistema defensivo do Corinthians foi brilhante.

No entanto, não se engane. O jogo não foi ataque contra defesa. Pelo contrário, o duelo foi bastante equilibrado. E o Corinthians não se intimidou com a empáfia, o dinheiro e o pretenso favoritismo do clube inglês. O Chelsea não passeou em nenhum momento como imaginava o jornalista da rede televisiva BBC, Robbie Savage. Pelo contrário, o clube inglês penou. Foi encurralado como há muito um clube europeu não era na final do Mundial de Clubes.

Guerrero fez o gol do título. Lembrou o de Basílio na final do Paulista de 1977

Quis o destino que o peruano Paolo Guerrero fizesse o gol do título. Como capricho dos deuses era preciso que fosse um gol chorado. Parecido com o de Basílio na final do Campeonato Paulista em 1977. Uma recompensa para os milhares de corações alvinegros que cruzaram o globo.

O Corinthians é campeão do mundo justamente no momento de maior fragilidade do futebol brasileiro nos últimos anos. Deixou claro que basta não abrir mão de nossa identidade que tudo é possível no campo de jogo. Afinal, aqui é Corinthians. Aqui é Brasil. Que Felipão entenda o recado.