Quem acompanha minha coluna e as notícias sobre a Nascar com certeza já conseguiu perceber que a categoria é um mundo à parte quando se trata de automobilismo esportivo. São vários os fatores que atuam juntos nesse sentido, mas hoje eu gostaria de comentar o principal deles em minha opinião, a paixão dos fãs.
A Daytona 500, principal corrida da temporada, pela primeira vez em seus 54 anos foi adiada para segunda feira por causa da chuva. Primeiro a prova foi remarcada para 12h, e depois, adiada novamente, com a largada prevista para 19h.
Compromissos profissionais me fizeram deixar Daytona durante o final de semana e tive que acompanhar a corrida pela televisão. Logo que liguei a TV o que mais me chamou atenção foram as arquibancadas do autódromo, lotadas em plena noite de segunda.
É preciso ser muito apaixonado mesmo para ir numa corrida noturna marcada para um dia útil. E lá estavam 140 mil fãs! Gente que vive o sonho da Nascar e que saiu da pista depois de 2h da manhã para dirigir de volta pra casa e trabalhar cedinho na terça.
Conheço várias histórias que mostram o quanto os torcedores da Nascar são apaixonados pelo esporte e contarei aqui em resumo duas delas.
No ano passado, quando corremos em Daytona, o jornal local estampou uma matéria que me chamou atenção. Os Estados Unidos então patinavam para sair da severa crise que até hoje afeta a economia. Pois bem, uma firma de consultoria realizou um estudo e constatou que as empresas que estavam associadas à Nascar, no comparativo com suas concorrentes diretas, foram as últimas a sentir os efeitos da crise e as primeiras a retomar uma trajetória de crescimento. O motivo é simples. Os fãs reconhecem quem investe no esporte pelo qual são apaixonados e preferem consumir produtos dessas empresas.
Outra mostra do poder dos fãs da categoria eu notei ontem, enquanto acompanhava a prova pela TV. Logo que a corrida foi interrompida pela bandeira vermelha, o Brad Keselowski, piloto do carro número 2, tirou uma foto do incêndio na pista e postou em seu Twitter. Duas horas mais tarde, quando a corrida foi retomada, ele já havia conquistado 100 mil seguidores adicionais em seu perfil.
Episódios como esses me dão grande satisfação em correr na Nascar e trazem junto a certeza de que a categoria tem todos os ingredientes para emplacar com força no Brasil.
DESTAQUE DA SEMANA
O trabalho da Nascar na segurança dos pilotos é sem dúvida nenhuma o melhor do mundo hoje em dia. Já que é quase impossível evitar acidentes na pista, a categoria trata de garantir que os pilotos tenham a devida proteção quando eles acontecem.Na sexta, infelizmente, o Miguel Paludo teve uma batida fortíssima. A TV estimou que ele atingiu o muro do circuito a 180 milhas por hora! E saiu andando do truck, acenando para as arquibancadas.
Ontem foi a vez do Montoya na prova da Cup. Ele bateu num caminhão usado para secar a pista, equipado com uma turbina de avião (e evidentemente cheio de combustível para aeronaves). A batida provocou um incêndio e interditou a prova por duas horas. Mas tanto o piloto colombiano quanto o rapaz que conduzia o caminhão saíram ilesos, andando de volta pra casa.
*O piloto NELSON ÂNGELO PIQUET colabora com o Yahoo! Esportes e Amigos da Velocidade. Campeão da F-3 Sul-Americana (2002), da F-3 Britânica (2004), vice-campeão da GP2 (2006), ele correu duas temporadas na F-1. Atualmente disputa a Nascar Truck Series nos Estados Unidos. Seu site oficial é: www.npiquet.com
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