Marcos autografa a autobiografia na Saraiva Eldorado, 7/8, 19h
Perdão pelo merchan e pelo caráter confessional. Mas quando se escreve uma autobiografia de um mito é preciso vender o peixe. Melhor: o porco. Falo os milagres, mas não digo o santo. Até porque ele não se acha tudo isso. E por isso ele é ainda mais que tudo.
São Marcos, como está escrito na capa da obra da Universo dos Livros ("Nunca Fui Santo", que ele e eu autografamos na Saraiva do Shopping Eldorado, na terça-feira, a partir das 19 horas, em São Paulo), sabidamente não é o santo que foi canonizado após fechar a meta palmeirense nas quartas-de-final da Libertadores de 1999 contra o maior rival — justo o time de coração de quase toda a família do Marquinho em Oriente, interior paulista.
Marcos é o cara que catou tanto e quase ninguém manda essa figura se catar. É um sujeito que até zoa os rivais — mas com o mesmo respeito com que se impunha na meta e um pouco à frente dela, quando fechava o ângulo com a mesma facilidade com que não consegue fechar a boca quando vê algo errado. Ou mesmo engraçado.
A autobiografia não é um simples livro de "causos". Tem muita história nem sempre alegre. Tem coisas próprias da vida de um menino da roça que se virou para, quase por brincadeira, quase sem querer, se transformar num dos maiores mitos do futebol dos últimos anos. Para não dizer o maior goleiro de um clube que teve, desde o final dos anos 30, arqueiros como Jurandir, Oberdan Cattani, Fábio Crippa, Laércio, Valdir, Maidana, Leão, Benítez, Gilmar, João Marcos, Zetti, Velloso, Carlos, Sérgio, Gato Fernández, Diego Cavallieri, Deola, Bruno e, em breve, Raphael Alemão e Fábio. Uma academia de goleiros que não para de apresentar bons nomes para defendê-la. Mas poucas pessoas tão especiais como Marcos.
Ídolo palmeirense. E não só palmeirense. Poucas vezes se viu no futebol um cara ser tão admirado pelo que é. Pelo que fala. Pelo que faz. Pelo que representa. Pelo que defende.
No livro, eu, Danilo Lavieri e Marcel Alcantara, colegas de credo e de ofício, tentamos botar no papel o que ele é. Nas palavras dele. Mas Marcos é daqueles caras que fazem, não falam. E quando falam, também fazem. Precisaríamos de um Ademir da Guia das letras para dar ao texto a mesma graça que o Marcão tem lendo bula de remédio, discurso de político, ou animando velório. Não conseguimos. Não fazemos milagres. Não somos Marcos. Mas somos discípulos dele desde 12 de maio de 1999. Por isso escrevemos a palavra dele. A vida dele. A história dele. As estórias dele. Com a graça de Deus. E do santo de punho de pau e de ossos ocos.
Leia o livro. Não porque é meu. Mas por ser dele.
+ Isto é Marcos...
Sessão de fotos do livro. Marcos ajoelhado olhando para cima, com os dedos indicadores para o alto, na célebre posição de agradecimento. Ele me pergunta se o livro chamaria mesmo "Nunca Fui Santo". Digo que sim, a ideia foi da editora Marcia Batista.
Ele vira para o fotógrafo e sugere nova pose: "Se o nome é esse, acho que a melhor foto para capa seria assim...". E o Marcos abaixa os dedos indicadores e ergue os dedos médios para a câmera...
