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    Zanardi: da tragédia às Paraolimpíadas

    Zanardi: um dos milhares de exemplos que veremos nas ParaolimpíadasZanardi: um dos milhares de exemplos que veremos nas Paraolimpíadas

    Você pode nunca ter ouvido falar do italiano Alessandro Zanardi, mas vai entender que ele é um piloto especial. Não exatamente por seus feitos na pista, mas por seus feitos na vida. Melhorando: Zanardi é um cara especial.

    Zanardi nunca foi um piloto brilhante na Fórmula 1. Longe disso. Na primeira passagem por lá, entre 1991 e 1994, fez provas avulsas pela Jordan e pela Minardi e foi piloto oficial da Lotus por duas temporadas. Deu azar, pegou a Lotus já em seu último ano de vida e marcou apenas um ponto.

    Em 1996, Zanardi viu a vida abrir novas portas na Indy, que acabara de se fragmentar entre Champ Car e IRL — o italiano correu na primeira. Assinou com a forte Ganassi, venceu três provas no primeiro ano e conquistou os títulos de 1997 e 1998.

    Caminho natural, voltou à Fórmula 1 em 1999 pela Williams. Não deu certo. Mais uma vez no lugar errado na hora errada, Zanardi pegou a Williams em uma das piores fases de sua história e fez apenas uma temporada. Mais uma vez, era enxotado da Europa.

    Depois de um ano sabático, correndo aqui e ali, Alessandro Zanardi retornou à América para disputar a Champ Car (a Indy que não era a IRL, para facilitar). E, ironicamente, Zanardi foi à Europa para disputar uma corrida da Indy no oval recém-construído em Lausitz, na Alemanha.

    Mais uma vez, Zanardi estava na hora errada e no lugar errado. Muito errado. Zanardi saiu dos boxes, perdeu o controle do carro em baixa velocidade e foi atingido no meio por Alex Tagliani. Tagliani vinha a cerca de 350 km/h e partiu o carro de Zanardi ao meio, em uma das cenas mais chocantes da história do automobilismo.

    Os médicos não tiveram muito o que fazer a não ser tentar salvar a vida de Zanardi, que teve as duas pernas arrancadas no momento da pancada. O vídeo está lá embaixo. É forte.

    Daí em diante, Zanardi deu uma lição ao mundo. Havia duas formas de encarar o que aconteceu: a tristeza por ter perdido as pernas ou a alegria por ter ganho a vida. Zanardi escolheu a segunda. E por isso tem a minha admiração até hoje.

    Nunca me esqueço dos discursos de Zanardi depois do acidente. Sorrindo ao sair do hospital, o italiano agradecia por não ter morrido, apoiava-se no amor pela família para continuar e passava longe de qualquer lamentação.

    Dois anos depois, Alessandro Zanardi estava novamente ao volante de um carro de corrida adaptado. E não era qualquer carro. Mesmo sem as duas pernas, o italiano venceu três corridas no disputadíssimo WTCC (World Touring Car Championship, ou campeonato mundial de carros de turismo) a bordo de um BMW Série 3 adaptado entre 2003 e 2009.

    Mas aquilo ainda não era suficiente para Zanardi, que encontrou no ciclismo de mão uma nova paixão.

    Quando as Olimpíadas acabarem e a intensidade dos holofotes sobre Londres diminuírem, Zanardi estará lá, na Paraolimpíada, em busca de uma medalha de ouro, ao lado de outros milhares de exemplos de superação. É um dos favoritos.

    Zanardi, que começou tudo de novo, aos 42, sem as pernas. Zanardi é o cara.

    300 km/h

    - Valentino Rossi voltará à Yamaha em 2013. É a melhor notícia recente no esporte a motor. Com a aposentadoria de Casey Stoner, Jorge Lorenzo tinha tudo para reinar absoluto no ano que vem. Mas Lorenzo terá um pequeno probleminha: Rossi, no box ao lado, com a mesma moto;

    - Rubens Barrichello não está feliz com sua equipe na Fórmula Indy. A KV realmente não oferece o melhor equipamento, mas, antes de reclamar do time, Barrichello precisa andar melhor que seu companheiro de equipe (Tony Kanaan, neste caso). E raramente o faz;

    - Um mês sem Fórmula 1 no meio da temporada é muita coisa, Bernie.