ATIVIDADES DE AMIGOS

    London Calling

    Top 10: o que Londres esbanjou e faltou a Pequim na abertura dos Jogos

    Não faltam especialistas em Jogos Olímpicos que digam que a abertura de Pequim-2008 foi a melhor de todos os tempos. Milhares de pessoas envolvidas, os famosos bateristas fazendo contagem regressiva em tambores iluminados, as pegadas de fogos de artifício chegando ao estádio Ninho de Pássaro e o acendimento da tocha em pleno ar são marcos desse evento. Mesmo assim, os britânicos fizeram frente aos chineses neste ano.

    Em que eles foram melhores que os asiáticos? Um grande júri, composto por este blogueiro que esteve hoje no estádio Olímpico e quatro anos atrás viu a abertura na capital chinesa numa churrascaria brasileira (sóbrio, no entanto), lista aqui dez elementos que sobraram para Londres e ficaram distantes em Pequim. É claro que a análise é subjetiva. Se não não era análise, ó pá.

    10 - Irlandeses podem ficar bêbados à vontade

    Quatro anos atrás, pegando o metrô para voltar para meu abrigo, vi um grupo de cinco irlandeses trêbados. Nenhum piu. O medo de serem expulsos da China era maior do que a vontade de fazer bagunça. Pois em Londres-2012 havia irlandeses bêbados até entre os jornalistas. Do lado de fora, mais ainda. Justo.

    9 - Comida

    Londres deu duas opções: a junk food que agrada muita gente, mas também um menu mais saudável. Hoje havia purê de batatas, carneiro e vegetais por R$ 15 no estádio Olímpico. Nada mal comparado com os R$ 30 que se pagava por um sanduíche, um refrigerante e um bolinho. Na China, as opções eram lamen cru (eles comem como um quitute), salsichas recheadas de milho (sim, isso existe) e outras iguarias deselegantes.

    8 - Celebridades de verdade

    Quem nunca ouviu falar em Paul McCartney (se você for como os fãs de Justin Bieber que perguntaram isso no começo do ano, não se manifeste -- dê uma pesquisada antes)? David Beckham? J.K. Rowling? Na China a estrela era Jackie Chan. Concorrência desleal.

    7 - Personalidades respeitadas

    Marina Silva, bastião de causas ecológicas, carregou a bandeira olímpica. Ao lado dela, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Muhammad Ali compareceu. Na China havia tanta gente criticando a realização dos Jogos lá que muitos convites a gente prestigiada assim nem sequer foram feitos.

    6 - Um acendimento da pira que não foi um ato publicitário

    Na China esse espetáculo foi lindo de ver. Mas quem acendeu a pira, o ex-ginasta Li Ning, é também o dono da principal marca esportiva do país. Londres escolheu sete jovens atletas para entregar esse privilégio. E tinha, por exemplo, um pentacampeão olímpico como o remador Steve Redgrave para fazer isso. Preferiu a simbologia ao marketing.

    5 - Música

    O destaque musical da abertura em Pequim foi a garotinha bonita que não cantava, porque dublava uma menos fofa que cantava muito melhor. Londres-2012 teve uma das principais orquestras do mundo, Artic Monkeys, uma interpretação da música que tocou quando o Titanic afundou e um ex-Beatle. Quatro anos atrás... bem, teve um pessoal lá que tocou.

    4 - Leryn Franco já sabendo que é musa

    Quando a arremessadora de dardo paraguaia chegou a Pequim, ninguém a conhecia. Em Londres ela já era uma musa. Por isso, esbanjou no decote e no colamento de sua roupinha vermelha. Não é culpa da China, mas o benefício agora é claramente maior.

    3 - Uma torcida que não fala só em ganhar

    Na China a questão desde o início foi: quantas medalhas de ouro vamos ganhar? Não que os britânicos tenham entrado nessa para perder, mas eles parecem mais preocupados em se divertirem e em aproveitarem a competição do que com qualquer tara por ouro. Muito louvável.

    2 - Paul McCartney

    Auto-explicativo.

    1- Rir de si mesmo

    Nessa os britânicos foram incomparáveis. A rainha topou participar de um vídeo com o o ator de James Bond, com direito a um real (de realeza, não de verdadeiro) salto de paraquedas. O mítico filme "Carruagens de Fogo", um bastião do país, foi transformado em peça de humor por Rowan Atkinson, o Mr. Bean. Que ainda liberou um som flatulento no fim de sua apresentação ao piano. A Grã-Bretanha poderia passar quatro horas exaltando seu passado imperial. Preferiu misturar isso com senso de humor. Grande escolha.