ATIVIDADES DE AMIGOS

    London Calling

    Londres ameaça simpatia pós-olímpica com cerco ao fundador da Wikileaks

    Apenas dias depois de acabarem os Jogos Olímpicos a Grã-Bretanha está desperdiçando toda a simpatia que atraiu com o esporte graças ao impasse diante da embaixada do Equador, onde está o fundador da Wikileaks, Julian Assange. É essa a opinião de turistas e de britânicos que tentam evitar a extradição do ativista para a Suécia, onde ele responderia por uma acusação de estupro e, mais tarde, seria enviado aos Estados Unidos.

    Depois de 18 dias de competição, os britânicos conseguiam até ser simpáticos com estranhos. A imprensa e os visitantes aprovaram a hospitalidade, o clima tranquilo e, em alguns casos raros, houve até quem gostasse da comida local. Mas a ameaça de invadir a embaixada equatoriana para impedir Assange de deixar o país acabou minando a atmosfera positiva do período dos Jogos.

    "Parece uma lembrança ruim. É como se o fim das Olimpíadas tivesse de lembrar às pessoas que aquilo foi só um sonho de verão mesmo", disse o empresário sueco Niklas Hakkon, 27, que divide seu tempo entre a capital britânica e Estocolmo. "Não sou ativista, não sou fã do Assange, mas ninguém consegue simpatizar com um monte de policiais na porta de um prédio impedindo um cara de ir embora. Não é um clima muito olímpico."

    Para Rebecca Trimble, 21, "todo país pequeno que vê o governo britânico prender Assange por divulgar informações sigilosas perdeu um pouco do respeito e da admiração que vieram com Londres-2012". "Eles investem bilhões para terem propaganda grátis no mundo inteiro e jogam tudo no lixo por causa de um cara", afirmou a estudante. "Agindo como se o Equador fosse uma colônia só vamos atrair a antipatia que afastamos nos Jogos."

    Nas redes sociais, as mensagens são quase todas de apoio a Assange. São raros os que defendem a extradição do ativista, que quer deixar a embaixada sem ser preso e não obteve a autorização do primeiro-ministro, David Cameron. Quanto mais tempo o impasse seguir, menos simpatia haverá pelo país que recebeu as Olimpíadas. Perda da simpatia: taí um risco que Rio-2016 felizmente não corre.

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