Ceni teve uma noite ruim e criou dúvidas na cabeça do torcedor"Minha consciência tem milhares de línguas diferentes/E cada língua me diz um conto diferente/ E cada conto me condena como vilão". A frase de Ricardo III, obra primorosa de Willian Shakespeare foi cunhada entre 1592 e 1593. De um jeito torto pode expressar muito bem, em 2012, o estado do goleiro Rogério Ceni.
O maior ídolo do São Paulo teve uma semana difícil. Afinal, seu time foi goleado pelo Náutico e ele marcou um gol contra em um típico lance que é pura obra do destino. Assim como o personagem central da trama do escritor inglês, Rogério Ceni fez tudo que estava ao seu alcance para se tornar o maior ídolo da história Tricolor. Óbvio que de uma forma muito mais nobre. Os sacrifícios de Ceni se resumem a trabalhar duro e perseguir a vitória como um dos personagens mais dramáticos de seu tempo.
A derrota do São Paulo por 3 a 0 para o Náutico levanta algumas questões. Muitos acreditam que o goleiro deve se aposentar. Não é ingratidão. A crença é irmã da dúvida e o mais apaixonado torcedor pode acreditar que a idade chegou ao grande ídolo. Acredito piamente que ainda não chegou a hora. Ceni ainda deve jogar o Campeonato Brasileiro e ver no que vai dar.
Ele fez muito pelo clube. Merece esse benefício. Afinal, ser goleiro é viver no limiar entre a dor e a delícia. E qualquer dos caminhos que se abrir para ele não vai diminuir sua trajetória no São Paulo. Quanto ao jogo, apesar de muita gente acreditar que Ceni tem uma parcela de culpa. Ela é ínfima perto das falhas do sistema defensivo do São Paulo. Ney Franco ainda não achou nem a melhor formação nem o melhor posicionamento desse setor da equipe. Mas, precisa de tempo para trabalhar. A maior crise do São Paulo é fora de campo, com dirigentes querendo se perpetuar no poder. Nas quatro linhas, resta ao torcedor perseverar que o time vai ser remontado.
A mesma quarta-feira dramática ao goleiro do São Paulo foi de tropeço para o líder Atlético-MG. O Galo empatou fora de casa contra o Dragão em 1 a 1 e perdeu a chance de criar ainda mais gordura na tabela.
Em Minas Gerais, o Cruzeiro também empatou com o forte Fluminense em 1 a 1. E o Grêmio de Luxemburgo acabou perdendo da Portuguesa em pleno estádio Olímpico. A Macaca perdeu do Bahia em Campinas e o Botafogo fez valer o seu mando de campo e derrotou o Sport por 2 a 0.
Por fim, na polêmica Arena Barueri o Palmeiras venceu o Flamengo por 1 a 0. O lance mais polêmico do jogo surgiu exatamente quando Valdivia resolveu usar a camisa que tinha trocado com um atleta do rubro-negro carioca. O gesto poderia ter passado em branco, mas não dias depois da notícia que o Mago chileno recebeu uma proposta do time carioca. E meses depois que Kléber implodiu o ambiente interno do clube do Parque Antártica depois de ser assediado pela mesma equipe. Em suma, Valdivia vacilou. Afinal, por mais problemas que o Palmeiras tenha é ainda um destino melhor para se trabalhar do que o conturbado e endividado Flamengo.
Neymar driblou até a estafa e jogou muito na vitória do Santos
Quinta-feira
Na quinta, o campeão da Libertadores entrou em campo muito desfalcado para receber o Internacional, que também perdeu algumas de suas principais peças. O triunfo alvinegro por 1 a 0 só mostra o consistente trabalho do técnico Tite na equipe.
O dia também foi marcado pela volta de Neymar ao Santos. Depois de jogar na Suécia na quarta-feira e colocar o sono em dia em um jatinho luxuoso, o craque foi fundamental da vitória do Santos por 3 a 1 em Floripa. Em São Januário, o Vasco apenas empatou com o Coritiba. Deixando o horizonte cada vez mais azul (com o perdão do trocadilho) para o Galo.
Craque da rodada: Neymar. Jogar na Suécia na quarta e na quinta entrar em campo em Floripa e arrebentar não é para qualquer um.
Pereba da rodada: Valdivia. Nem tanto pelo que fez em campo. Mas, pela falta de noção de colocar a camisa do Fla dentro do contexto citado no texto.
